Currais e Vinho

Pico, Terra de Vinho e Memória

O Vinho

Nos Açores, a cultura da vinha encontrou no Pico o seu lar mais singular. Aqui, o basalto negro do solo vulcânico, o clima seco e a força dos elementos deram origem a uma paisagem única. Ao longo dos séculos, a viticultura transformou não só a terra, mas também a história, a economia e a identidade da ilha — visível ainda hoje nos “currais” murados, nas adegas e nos vinhos que renascem com força.

Século XV
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Chegada da cultura da vinha aos Açores, inicialmente em São Miguel e Terceira.
Final do século XV
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Implantação da vinha na ilha do Pico, por frades franciscanos vindos do Faial. Bacelos trazidos da Madeira e de Chipre.
1572
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Erupção vulcânica contribui para enriquecer o solo, favorecendo a produção vitícola.
1723
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Criação do concelho da Madalena, reflexo da importância crescente da viticultura na ilha.
1809
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Graças ao trabalho árduo do povo na moldagem da paisagem, foi gerada uma riqueza tamanha que não só fundou o Município da Madalena, como ajudou a construir o Porto da Horta e a pagar a dívida que Portugal tinha com a Inglaterra.
1852
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As pragas do oidium e da filoxera devastaram as vinhas do Pico, arruinando a economia da Ilha.
Século XVIII
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Surge a prática de adicionar aguardente ao vinho, aumentando a sua durabilidade e capacidade de exportação.
Séculos XVIII–XIX
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Época de ouro do vinho do Pico, com destaque para o Verdelho exportado mundialmente. O porto da Horta torna-se um centro de reexportação.
Século XIX
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O vinho era tão prestigiado que frequentava as mesas da realeza europeia e do Vaticano, sendo imortalizado em clássicos como em “Guerra e Paz", de Tolstoi. No seu auge, produziram-se anualmente entre 12 mil a 25 mil pipas de vinho para exportação, chegando a destinos como o Báltico, Índia e Macau.
1949
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As vinhas do Pico renasceram e a produção voltou a crescer, levando o vinho novamente para o mercado internacional.
Século XX (meados)
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Declínio da viticultura devido a pragas e crises económicas. Muitos “currais” são abandonados.
2004
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A UNESCO classificou a vinha do Pico como Património Mundial, reconhecendo o seu labirinto de pedra como uma das mais complexas obras criadas pelo Homem.
2015
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A Madalena registou a marca “Capital dos Açores da Vinha e do Vinho” para promover a ilha e homenagear o trabalho dos seus viticultores.
2017
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A 14 de dezembro, a Madalena foi eleita Cidade do Vinho 2017, tornando-se o principal centro da viticultores em Portugal ao acolher os eventos mais importantes do setor.
2025
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Sete municípios dos açores, entre eles a Madalena, candidataram-se juntos a cidade Europeia do vinho 2026
Século XXI
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Renascimento da cultura da vinha com marcas como Lajido, Terras de Lava e Basalto. Reconhecimento da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico como Património Mundial pela UNESCO (2004).
Século XV
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Chegada da cultura da vinha aos Açores, inicialmente em São Miguel e Terceira.
Final do século XV
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Implantação da vinha na ilha do Pico, por frades franciscanos vindos do Faial. Bacelos trazidos da Madeira e de Chipre.
1572
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Erupção vulcânica contribui para enriquecer o solo, favorecendo a produção vitícola.
1723
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Criação do concelho da Madalena, reflexo da importância crescente da viticultura na ilha.
1809
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Graças ao trabalho árduo do povo na moldagem da paisagem, foi gerada uma riqueza tamanha que não só fundou o Município da Madalena, como ajudou a construir o Porto da Horta e a pagar a dívida que Portugal tinha com a Inglaterra.

Museu do Vinho

O Museu do Vinho preserva a tradição vitivinícola da ilha do Pico através de lagares, alambiques e antigos artefactos ligados à produção de vinho e aguardente. Destaca-se também pela maior concentração de dragoeiros (Dracaena draco) centenários da Macaronésia, tornando-se um importante símbolo da cultura e da paisagem do Pico.

Glossário

Adegas

Adegas

Pequenas construções de pedra seca, com interior simples mas funcional, onde se produzem e conservam vinho, aguardente e angelica. Durante a vindima, as uvas são esmagadas nos lagares e o aroma do vinho enche o espaço, tornando-se também locais de convívio e celebração.

Solar dos Salemas

Edifícios dos séculos XVIII e XIX que combinam residência e adega, destacando-se pela cantaria em basalto, escadarias, balcões e cisternas. Exemplos como o Solar do Verdelho refletem a importância social e económica da viticultura.

Currais

Currais da Vinha

Muros de pedra seca que protegem as vinhas do vento e da salinidade, criando um microclima ideal. Organizados em jeirões, canadas e travessas, demonstram a adaptação inteligente à natureza e a resiliência do povo picoense.

Alambiques

Alambiques

Equipamentos discretos mas essenciais para a destilação da aguardente típica, preservando técnicas ancestrais. Dois alambiques podem ser visitados: no Museu do Vinho e no Lajido.

Lagares

Lagares

Espaços onde se prensam as uvas, manualmente ou com prensas de madeira e basalto, iniciando o ciclo do Verdelho e dando início à produção de vinho.

Curiosidades

Paisagem

Paisagem protegida

A paisagem da vinha do Pico, com seus “currais” de pedra, é um exemplo de adaptação humana a um ambiente vulcânico extremo, sendo um dos motivos pelo qual foi reconhecida pela UNESCO.

Adaptação

Adaptação ao ambiente

Os muros de basalto, construídos manualmente, protegem as vinhas dos ventos fortes e da salinidade do mar, permitindo o cultivo em condições desafiadoras.

Vinho

Vinho medicinal

Em séculos passados, o vinho do Pico era usado como remédio, com propriedades que se acreditava ajudarem na digestão e no bem-estar geral, conforme registos históricos.

Premios

Prémios e reconhecimento

O vinho do Pico já recebeu diversos prémios, como medalhas em concursos internacionais e reconhecimento da crítica especializada por suas qualidades únicas, informa a página Czar Wine.

O que é que combina com o Vinho do Pico?

Só coisas boas

Queijo mel

Queijo do Pico com Mel de incenso

Lapas

Lapas

Linguiça do Pico com Inhame

Vozes de quem sabe

É preciso dar lugar a quem realmente entende o vinho da Madalena.

 

Aqui, ouve-se mais do que palavras. Escutam-se vivências, saberes passados de geração em geração, segredos da vinha e da adega e a paixão de quem faz do vinho uma forma de vida.

 

De quem o cultiva, o estuda, o prova e o sente.

O sabor do Pico está vivo. E espera por si.